Por Camila Veras*
Nesse momento de isolamento social devido à pandemia de Covid-19, as professoras do berçário se veem num momento muito delicado sobre o qual se questionam: mandar ou não atividades?
O berçário precisa criar uma proposta diferenciada na qual consigam formular atividades simples que foquem na interação entre pais e filhos. O desenvolvimento da criança na primeira infância exige momentos de ludicidade e diversão. Para isso, as professoras elaboram atividades diárias em que os pais possam utilizar materiais de apoio disponíveis em sua casa, como utensílios domésticos, lençóis de cama e culinárias simples para exploração, entre outros.
Essas atividades são criadas e baseadas nas normas da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que prioriza as competências socioemocionais, levando em conta sempre:
- Conviver com outras crianças e adultos é muito importante, porém, neste momento, as crianças interagem com pais e irmãos mais velhos, os quais ajudam na execução das atividades;
- Brincar, pois a criança aprende de forma divertida e os conceitos de regras e socialização acontecem nessa etapa;
- Participar ativamente, com adultos e outras crianças, em todas as atividades propostas pela escola ou pelos pais;
- Explorar movimentos, gestos, sons, formas, texturas, cores, palavras, emoções, transformações, relacionamentos, histórias, objetos e elementos da natureza, entre outros;
- Expressar, como sujeito dialógico, criativo e sensível, suas necessidades, emoções, sentimentos, dúvidas, hipóteses, descobertas, opiniões e questionamentos, por meio de diferentes linguagens;
- Conhecer-se e construir sua identidade pessoal, social e cultural, constituindo uma imagem positiva de si e de seus grupos de pertencimento, nas diversas experiências de cuidados, interações, brincadeiras e linguagens vivenciadas em seu contexto familiar no isolamento social e após o ambiente escolar.
Entendemos que este é um momento de acolhimento às famílias e que estamos passando por uma situação atípica, em que os pais precisam desdobrar-se para conciliar a rotina dos pequenos com a sua rotina home office. Para isso, o berçário precisa oferecer suporte e apoio para os pais que tenham dúvidas, que precisam de ideias e até um acolhimento psicológico, pois entendemos que não é fácil a mudança que tudo isso causou na rotina das famílias.
Além disso, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) orienta que crianças de até 2 anos não sejam expostas a telas e que crianças de 3 a 5 anos sejam expostas a, no máximo, uma hora por dia, visto que esse excesso de estímulo pode prejudicar desde o sono básico da criança até o desenvolvimento do cérebro.
Claro que, nos dias de hoje, é quase impossível mantê-los tão longe da tecnologia, uma vez que nasceram nessa geração que é movida por tal e estamos cercados desses estímulos; entretanto entendemos que o brincar ainda é a melhor atividade para o desenvolvimento neurológico saudável dos bebês.
Pensando nisso, o berçário cria atividades de orientação aos pais, dando-lhes ideias, mostrando como executar a atividade e valorizando cada conquista na realização delas, através de compartilhamentos nas redes sociais.
As orientações vão desde uma simples ajuda na criação de rotina para o bebê até atividades de psicomotricidade, que os pais podem executar em casa num momento de brincadeira, na hora do banho ou entre uma tarefa de casa e outra. Acredita-se que, no desenvolvimento e na aprendizagem, a criança é a protagonista, mas, em frente ao computador ou celular, ela se torna totalmente passiva, e esse não é o foco. A criança precisa criar, movimentar-se e explorar, assim seu desenvolvimento neurológico se dará de forma efetiva.
Outro tão importante suporte que é dado aos pais é na alimentação dos bebês. Muitos pais nos relatam que os pequenos se alimentam melhor na escola do que em casa e sempre perguntam: “qual a mágica para fazê-los comer?”. Neste momento, entra a nutricionista, que dá dicas de como preparar os alimentos, como criar ambientes propícios para a atenção plena na hora de comer, receitas e até o cardápio servido para as crianças no ambiente escolar é disponibilizado para os pais que não querem quebrar a rotina dos bebês.
Todos esses cuidados nesta quarentena só estreitam ainda mais os laços entre escola e a família, proporcionando aos pequenos do berçário momentos de diversão e aprendizagem com os pais, mas tendo o cuidado e a supervisão das professoras que sempre acompanham de perto todas as atividades. Esse é um diferencial para que os pais não se sintam sós nessa tarefa de dar continuidade aos conteúdos e rotinas dos pequenos fora do ambiente escolar.
*Camila Veras é Coordenadora do Berçário e Orientadora Pedagógica do Colégio Sapucaia Objetivo
Para saber mais sobre o Colégio Sapucaia Objetivo, acesse http://bit.ly/2SPOh87.
Fontes:
– Recomendações da SBP – Sociedade Brasileira de Pediatria
https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/sbp-atualiza-recomendacoes-sobre-saude-de-criancas-e-adolescentes-na-era-digital/
– Manual de Orientação SBP – Menos telas mais saúde
https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/_22246c-ManOrient_-__MenosTelas__MaisSaude.pdf